muitos objetos

Há sempre uma procissão de objetos em jogo, demandas de uma escrita útil correndo paralelamente à escrita inútil. Um amigo aguarda até hoje por uma pequena ficção sobre uma distopia futura que lhe ocorreu. A cada reinício, tento desenhar um sistema de escrita, um princípio simples que seja capaz de conter a complexidade de múltiplos objetos. Um sistema assim sempre surge com promessas de elegância e logo degenera. Nunca alcancei um método que articula muitos objetos sem esforço.

O contorno de um objeto ocorreu há pouco. A ideia vem fácil, singular, mas qualquer coisa além dela imobiliza. É possível que a tarefa esteja mal entendida. Talvez seja o caso de que um objeto se opõe não a muitos, diretamente, mas sim a dois, e dois a três, e três a quatro etc., degrau por degrau, como a crescente complexidade do contraponto. Não me recordo de ter escutado as ideias de Joyce Carol Oates a esse respeito, mas o trabalho constante sobre um diário pode trazer novas perspectivas.

Pequenos passos similares podem ser feitos a respeito de outras formas de escrita. Recentemente, desejei escrever uma pequena série de textos curtos sobre temas diversos, pequenas ficções ou pequenos comentários, mas sempre nesta perspectiva do pequeno fôlego das páginas do diário. O medo de que este seja mais um retorno compulsivo à promessa de um método que não existe (não existe para mim), entretanto, é cotidiano. Sua contraparte que existe (que existe para mim), infelizmente, é semelhante a uma resistência. Ela serve para silenciar a escrita.

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