Meus objetos são, para os outros, objetos alheios. Nada garante que ninguém por eles se interesse. Há o cânone, a cultura, as mitologias de todos os tempos e, no mais das vezes, nem assim buscam-nos os buscadores de objetos. Que diferença fazem?
Um objeto alheio interessa quando criado por mãos mais hábeis que as minhas. Quando descrevem-no melhor, sua superfície, sua interioridade, seu entorno, melhor do que eu mesmo o faria, participo de algo, experimento um encontro. O melhor poeta, o melhor fenomenólogo, é sempre o outro. Sem este reconhecimento, contudo, estou à deriva.
O objeto alheio não pode ser somente a história privada do outro. Deve ser também a minha história, real ou imaginada, porém nunca tornado inerte, pois tenho dúvidas quanto a ele ser ou não ser animado. Ele é sagrado, tem poder sobre mim. O objeto alheio me preenche de temor.