objetos livres

Objetos livres não são meus, tampouco são de alguém. Não pertencem a ninguém, o que solicita ao leitor que seja realista quanto à sua existência. Isto, certamente, desloca o interesse de tais objetos da literatura para a ontologia. Exceto em outros mundos, intangíveis aos sentidos, o livro que escreverei não está em lugar algum, isto é, até que seja finalmente escrito.

A crença em objetos livres lança quem escreve numa busca. É menos artífice e mais explorador de cavernas. Desloca-se, ou reconhece esta necessidade (sem a qual não estará efetivamente fazendo coisa alguma), não para que crie, mas para que encontre.

Seja para o artífice ou para o explorador, o horizonte é uma imagem possível para encapsular as duas atitudes. Seja ao se deslocar em sua direção, ou ao efetivamente construir algo no território limítrofe da linguagem, a visada dos objetos ditos livres se torna possível, ainda que não por muito tempo. Nunca permanecem livres, tornam-se instantaneamente meus, ou alheios, o que levanta a dúvida quanto à sua liberdade original.

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